apreço
o sol não nascerá amanhã
para secar as gotas do orvalho
e bater na tua janela, de leve,
inclinando os raios a entrarem no
teu quarto
saberás lidar com o escuro?
ou fingirás um adormecer
até, enfim, o sol nascer?
a lua, sem astro para iluminá-la,
parecerá morta, sem vida
e maré sofrendo a influência
é o fim sem despedida
não cortes o cabelo
pois minguante é a certeza
e crescente o mergulho na
correnteza
a chuva há de cair, ácida,
corroendo as estruturas
construídas com suor e apreço
por nossas mãos habilidosas
estaria o mundo mentindo?
impossível desfazer o ciclo da água
erros não se transformam em
acertos
ame enquanto há tempo
erre enquanto pode
aproveite a chuva de verão
enquanto as gotas são doces
mas não tire o olhar do fogo
a água seca com descuido de quem
esquece que é apenas mais um
entre muitos.