kintsugi
No Japão, eles têm o kintsugi — a arte de remendar porcelanas preciosas com ouro. O resultado é uma peça que nitidamente foi quebrada, mas que por isso mesmo é mais bonita. É um conceito que sempre me fascinou. É comum as pessoas tentarem esconder suas cicatrizes, como se o mais leve dano provasse o quanto são fracas. Acham que as cicatrizes equivalem a erros e os erros, a vergonha. A perfeição para sempre desfigurada. Kintsugi faz o oposto. Ele diz: “Há beleza que nasce da tragédia. Vejam estas preciosas linhas, quebradas pela experiência”. Enquanto estou parada no corredor, olhando fixamente para a porta da frente, que reverbera com as batidas do meu antigo amor, ocorre-me que, apesar de o kintsugi ser um conceito nobre, não muda a realidade de que, uma vez que alguma coisa é quebrada, nada mais é, a não ser isso. Um belo reparo, não importa quão elegante seja, não a deixa inteira novamente. Continua sendo uma porção de pedaços colados, uma imitação de sua forma anterior.